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Distância da política traz autoritarismo, diz Obama


FILE PHOTO: Former U.S. President Barack Obama speaks at the Bill & Melinda Gates Foundation Goalkeepers event in New York, U.S., September 20, 2017. REUTERS/Elizabeth Shafiroff/File Photo ORG XMIT: HFS-INK106
Ex-presidente dos EUA Barack Obama em evento recente na Fundação Bill e Melinda Gates
 
A distância entre os cidadãos e o poder político é o combustível que alimenta o crescimento de movimentos nacionalistas e autoritários no EUA, e também é uma ameaça no Brasil.
A afirmação foi feita pelo ex-presidente americano Barack Obama, que identificou como seu maior arrependimento no poder não ter sido capaz de aproximar pessoas em polos opostos do espectro político. "Democracia é duro", disse ele.
"Fomos bem-sucedidos em evitar uma grande depressão (depois da crise iniciada em 2008, quando foi eleito), mas não foi tão rápido assim, e as pessoas foram para cada uma para seu canto."
Obama falou em um evento realizado em São Paulo nesta quinta (5) pelo banco Santander e pelo jornal "Valor Econômico" por cerca de 20 minutos e respondeu a questões elaboradas pela organização por mais 40 minutos.
Segundo Obama, a população americana se vê alijada da "Washington distante". "Não é surpresa que movimentos nacionalistas, potencialmente autoritários, tenham feito progresso e ameaçado nossas tradições", disse.
O Brasil, completou, "também corre esse risco", apesar de sua história própria.
O ex-presidente não citou nominalmente o sucessor, Donald Trump, mas criticou vários aspectos de suas políticas. Disse ser impossível argumentar com quem rejeita a ciência do aquecimento global, como o republicano.
Em sua exposição, falou sobre os riscos inerentes à internet. "Ela tribalizou a política. É o melhor e o pior dos tempos."
Obama fez firme defesa do jornalismo independente, mas evitou criticar diretamente a concentração da publicidade digital do duopólio Google-Facebook que ameaça seu modelo de negócio.
"As plataformas são neutras na essência. Concentração de mídia não é algo novo, o importante é ver como a informação é disseminada", afirmou.
Ao defender o pluralismo informativo, brincou: "O mundo na Fox News [rede de TV de posições conservadoras e próxima da gestão republicana de Trump] não tem conexão com o que você lê no "The New York Times" [jornal liberal, mais alinhado ao Partido Democrata de Obama]. Se eu assistisse à Fox, não votaria em mim também! Mas eu leio o 'NYT'".
Obama fez uma defesa do capitalismo liberal, ressaltando a necessidade de atender àqueles que ficam para trás na globalização. Citou assistência social e o programa de universalização da saúde conhecido como Obamacare, que Trump quer desmontar.
"Ele é meu maior orgulho como presidente", disse, adicionando à lista outra realização que Trump ameaça : o acordo nuclear com o Irã. Para ele, é um exemplo de como a diplomacia pode suplantar o poderio bélico. "Infelizmente, quando cheguei à Casa Branca a Coreia do Norte já estava além, com um programa de armas nucleares, disse.
O ex-presidente cercou sua visita de segredos. O cachê, estimado num evento recente nos EUA em US$ 400 mil, não pôde ser violado sob risco de não-comparecimento —o que ocorreu na Europa este ano. A plateia pagou até R$ 7.500 por um ingresso. Havia no público empresários e celebridades, mas nenhum político de peso.
Na tarde desta quinta, Obama receberá 11 jovens escolhidos pela fundação que leva seu nome para discutir temas como sustentabilidade, empreendedorismo e mudança climática.
Uma das pessoas contou que teve de assinar um termo de confidencialidade sobre o encontro.
Obama chegou a São Paulo na quarta (4) e está hospedado no hotel Hilton (zona sul). Ele veio com 12 pessoas de sua fundação e seguirá nesta sexta para a Argentina.
Obama diz que irá se dedicar a "treinar jovens a serem lideranças" nos "20 ou 30 anos" que antevê de vida. 
 
Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO

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